Biomarcadores em animada discussão em Lisboa

sábado, 16 de outubro de 2010

Tive a oportunidade de participar no 1º Congresso Nacional do Laboratório Clínico (este ano em versão internacional) e fiquei satisfeito por ver que os novos biomarcadores são matéria de discussão.

Gostei em particular de uma sessão moderada por Purificação Tavares denominada "Use of Pharmacogenetics in Guiding Therapy with Coumarins" com RHN van Schaik (Holanda) e Charles S. Eby (EUA). As duas apresentações focaram-se sobre o estado da arte na utilizacao de testes genéticos antes do inicio de terapeuticas anticoagulantes orais anti-vitamina K como auxiliar da definição da dose inicial de forma a evitar riscos desnecessários

Os apresentadores estavam igualmente super-preparados no tema, aliás as suas áreas de trabalho há anos. Mas vêm de países com sistemas de Saúde muito diferentes e formas de tratar a anticoagulação oral distintas (cuidados primários vs centros especializados). Enquanto que van Schaik recomenda adopção do testes genético S. Eby afirma não ser ainda tempo para "prime time" já que o custo-benefício não é favorável. A acesa troca de argumentos sempre forma educada claro está foi um dos momentos altos do congresso.

Fiquei com a sensação que os argumentos de Eby eram mais convincentes. Para Portugal, numa altura em que se está em pleno processo de descentralização da monitorização para os cuidados primários há ainda muito a fazer antes da introdução destes testes em protocolo. Ainda assim ficou claro que há hoje métodos laboratoriais que permitem compreender porque é que certos doentes respondem de forma muito diferente, provavelmente pela sua genética.

Num registo totalmente distinto, mais próximo da investigação do que do desenvolvimento cientifico, Steven Carr (EUA) apresentou a sua plataforma proteómica de descoberta de marcadores cardíacos. Surpreendeu-me a forma engenhosa de colheita de amostras em doentes (através de um catéter dedicado) e a elevada complexidade que se requer para fazer proteómica. Parece estarmos ainda longe de ter testes proteómicos acessíveis em tempo e custos. Ainda assim, Carr pretende acima de tudo identificar proteínas "marcadoras" para as quais se possam desenvolver anticorpos que sejam passíveis de serem utilizados em imuno-ensaiso mais acessíveis, um approach bem mais prático.

De resto o Congresso apresentou um elevado nível científico, contou com o Secretário de Estado Adjunto e da Saúde Manuel Pizarro na sessão de abertura que foi abrilhantada pela elegante fadista Mafalda Arnauth entre outros.

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