Controvérsia em redor do teste KIF6 da Celera: novidade ou "o costume" ?

domingo, 10 de outubro de 2010

O teste KiF6 é de avaliação de risco cardiovascular, de base molecular e corre na plataforma m2000 da Abbott, empresa que aliás foi quem o submeteu a registo na Europa (distribuidor). É um dos testes que a Celera e a Abbott esperam lançar designadamente na área cardiovascular. O teste promete "em conjunto com a avaliação clínica a genotipagem KIF6 detecta um sinal genético que permite a identificação de indivíduos em risco acrescido para doença arterial coronária, e em pacientes nos quais o tratamento com estatinas está sendo considerada."

Tinham decorrido poucos dias desde a sua aprovação (ver notícia) quando a bomba rebentou. Num grande artigo publicado dia 7-10-2010 no Journal of American College of Cardiology um vasto grupo de investigadores liderados por Themistocles L. Assimes refuta a associação entre o teste o um aumento do risco de doenças arteriais coronárias (link). O título do editorial da revista é aliás muito forte "O colapso do KIF6".

A Celera, num grande esforço de comunicação (ver press release), não demorou nem 1 dia a confirmar a validar dos seus estudos, ao apontar vários erros metodológicos no estudo agora publicado.

Na comunidade científica e nos meios de comunicação é grande discussão à volta deste caso (ver genomeweb, sciencedaily, etc.) Por outro lado o press da Celera está a ser reproduzido por várias agencias de notícias financeiras.

Esta situação suscita alguns comentários:

  • os méritos anunciados pelo biomarcador são muito interessantes (patologia muito prevalente e de elevado impacto socio-económico) e há que dar tempo para que se esclareça esta controvérsia.
  • a Celera tem agora dificuldade acrescida em fazer vingar este teste (eventualmente todo seu painel cardiovascular em pipeline) dada a perca de confiança que estes episódios geram
  • a necessidade de serem conduzidos ensaios alargados para validar biomarcadores de avaliação risco, ferramentas potentes e de elevado alcance.
  • a importância das associações de profissionais e das agências reguladoras na defesa dos cidadãos e a prudência que devemos ter na adopção das novas tecnologia médicas.
  • Estou seguro que este caso é pontual e rapidamente absorvido por outros de sucesso claro e inequívoco

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